O desaparecimento e o seqüestro de crianças e adolescentes é um problema de todos. E também representa um tema complexo, uma equação a exigir ações múltiplas e interdisciplinares, nos mais diversos campos, para a sua solução.
Mas entre tantas ações necessárias, lutamos, acima de tudo, pela prevenção, pela proteção em tempo integral das crianças e dos adolescentes, e contra a impunidade. Trata-se de claro dever do Estado e também de cada família de nosso país, de toda a sociedade.
Identificamos três campos de batalha: o poder público, a família, o público infanto-juvenil.
Do poder público, devemos, unidas e articuladas, cobrar mais empenho e mais eficácia tanto na prevenção — por meio da criação emergencial de uma rede de efetiva proteção, por meio da atenção em tempo integral nas escolas e/ ou outras instituições — quanto na investigação policial dos seqüestros de meninos e meninas, crimes, na maioria dos casos, que costumam dormitar na impunidade. Não podemos nos calar.
À sociedade, devemos conclamar para o resgate da convivência solidária nas comunidades. Propomos o projeto emergencial Mãe da Vez, para a realização de um rodízio de responsabilidade em cada comunidade no cuidado das crianças e adolescentes. Que a cada dia ou semana, uma mãe diferente fique responsável por bebês, por acompanhar estudantes no ir e vir da escola, na brincadeira em casa ou em áreas livres. O fato é que a maioria dos desaparecimentos e seqüestros ocorre contra crianças de famílias sem dinheiro para contratar babás ou pagar creches particulares.
Também cobramos de cada cidadão o pleno exercício do seu papel de testemunhas. Chega de individualismo, de achar que ninguém tem nada a ver com a vida alheia. Todos temos, sim, a obrigação de intervir em qualquer situação que signifique um meio de salvar vidas, impedir crimes ou impunidade.
Não podemos impor as nossas crianças o peso da responsabilidade por sua própria proteção. Essa é uma responsabilidade de todos os adultos de nossa sociedade. Propomos, ainda assim, a realização de trabalho preventivo para promover um comportamento mais seguro do público vulnerável, por meio de campanhas educativas nas escolas, comunidades, espaços públicos.
Perdemos nossas filhas. E testemunhamos que outras mães perderam e continham perdendo as suas crianças. Quantas ainda havemos de perder?
Perdemos nossas filhas, mas não o nosso sentimento de maternidade. Por isso, decidimos lutar por mudança. Queremos nada menos do que o justo, aquilo que já é previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, lei que completou neste ano 18 anos de existência.


